19 julho 2009

Fogueira





Queima meu coração,
arde não de calor,
mas arde como festa de casamento,
e os noivos dançassem uma única valsa.

Queima como a viagem sutil
de duas pessoas na mesma cama,
conversando sobre tudo,
rindo da mesma lua.

Queima o inverno
de neve no Pólo norte,
da solidão
das pessoas dentro de um elevador.

Somos nos,
gravetos em uma ilha deserta,
corpos lançados ao vento,
fagulhas brilhando na noite,
momentâneas figuras,
que no segredo de um corpo,
partido ao meio,
libera
amor.

10 julho 2009

Pegasus



Aqui e agora,
num mito de Pegasus,
nesse galope doido a voar,
vai minha imaginação,
nessa viagem em busca de ti,
a negar tudo que tinha planejado,
a mentir uma pessoa do ontem.

E voa, voa...

Qual a porta que passei, nem sei?

Quero estar ai,
beber seu suco,
de asas brancas,
de mel com limão.

Perder-me na água,
como a sereia na conquista do mar,
mergulhar em sua vida,
e dela fechar a porta
que acabei de passar.

01 junho 2009

Tempo



Parei no tempo.
Consegui,
finalmente consegui!

Foi nesta hora que vi:
as estrelas brilharem mais;
a areia reluzir esse brilho;
o homem pensar na paz;
a mulher querer amor.

Não havia som,
só havia o tom
de bater o coração.

Um resto de ti



Lábios soltos no ar
só para te dizer,
que no deserto
não existe um oásis,
uma pequena flor.
Só um resto de um rio vago,
com margens sem amor,
sem nada...

Olhares tortos,
vesgos,
sem brilho,
incutem uma inocência vil,
de uma imperatriz
de um reino superior...

Não acredito!

Algo que me põe sem segurança,
que me deixa triste:
lábios soltos,
olhos perdidos...

De repente, eis que essa luz brilha.
Algo como uma explosão de um vulcão
(explosão de felicidade).
Algo que me move por dentro.
Deixa-me alegre.
Enche-me de esperança.
Não precisa nem de lábios,
nem de olhares
(jogue-os fora!)...
Seu sorriso me fez isso.

01 maio 2009

Roda gigante



Numa roda gigante
o tempo passa,
ora alta,
ora baixa,
ora tensão,
ora calma.

Vida a rolar sem fim,
vida a correr demais.

A menina que sobe,
não é a mesma que desce
(o tempo é passageiro!).

O importante que ela
gira, gira, gira,
mas sempre volta ao mesmo lugar,
onde começou a alegria!

07 abril 2009

Relógio



Quando o relógio
registrar o momento
de te ver.

E reconhecer
o medo de você.

E imaginar
o que posso fazer
para te dominar
e te vencer...

...Serei um algo mais,
pronto para te amar
(e te ter!).

23 março 2009

Minha


Minha,
minha porque eu quero,
porque gosto...
E se não fosse?
Sem chance,
desejaria ela todinha
(minha).

15 março 2009

Rabisco




Desenhe sua forma,
desenhe logo!

Não quero mais ficar na tua torta,
sem ao menos ser capaz
de entender o seu sabor.

QUERO cores firmes,
sem rabiscos,
sem vacilos...

QUERO te ver!

27 fevereiro 2009

Esperar



Te espero:
inteira,
linda,
viva,
cheia,
intrigante,
rica,
tranquila,
faceira,
humilde,
graciosa...
Mulher!

22 fevereiro 2009

Olhar



Seu olhar
(mil ângulos),
corpo de luz,
cheio de esplendor.

Entontece,
limita-me,
suscita-me
o mais doce amor,
que mora
na esquina
entre o prazer
e o meu ser.

15 fevereiro 2009

Quando a lua for a lua



Quando a lua for a lua
(e seu brilho acender a voz),
voltarei!

Gritarei um fogo eterno,
uma nova luz,
uma história real.

Nada de mentiras,
mortiças,
falsidades...

Mostrarei o meu lado escuro
(buraco negro que nos separa).
Rirei das coisas brandas
(Branca).

Te amarei como nunca,
ficarei aqui te olhando
(olhos negros cheios de brilho).

...Quando a lua for a lua.

05 fevereiro 2009

Mulher



Senhora de mim
induz meu corpo
ao pensamento leve.

Abriga o coração,
sangrado,
molhado de luz.

Traduz as letras da terra,
migra meu olhar,
faz minha festa completa.

Reluz o meu ar,
renova-o...

Minha eterna dona de mim.

25 janeiro 2009

Minas Gerais



São sucessões de verdes folhagens,
mares de esperança,
que rolam em um fogo astral,
simulando uma vida amena e feliz.

Montes verdes,
cheios de alma
(ensino exotérico).
Com um sol claro,
igual ao pensamento.

É ai que quero morar,
rindo da solidão,
mergulhado em um rio de calma
(claro que sim!),
pensando em ti,
retirando todo ouro
dessas Minas Gerais.

22 janeiro 2009

Fim



Quebrou um aroma
de perfume de gozo,
pedindo que eu te deixasse
sem olhar para trás,
sem ver às marcas
impressas em ferro à brasa.

Agora o cheiro é acre,
azedo,
gosto de óleo de rícino,
Emulsão Skott,
bacalhau dormido depois do domingo de Páscoa.

Foi fundo
ao falar do brilho que corria no corpo
e agora não atrai mais,
como um Halley que passou.

Foi um buraco aberto para o Japão,
com direito de ver os amarelos rirem de mim,
e o Monte Fuji a desabar.

Foi passagem comprada para guerra do Vietnam,
sem Rambo e Schwarnegger
para me defender.

Foi o meu pior orgasmo.
Meu pior sonho
(um pesadelo!).

Foi o fim!

20 janeiro 2009

Quimera



Quimera,
Espelho do telho.
Suspeita de ação.

Meu caso,
meu Tejo,
Irrita um milhão!

Olhos suspeito,
de um doce pecado,
de uma doce ilusão...