07 janeiro 2016

Eficácia

Seu cafuné

afaga muito mais

que meu couro. 

Provoca a piloereção,

reação hormonal

tipica da irracionalidade.

03 dezembro 2015

Surdo



"Din-don",
"din-don"...
Mas da natureza,
só se ouve "cri cri"...

Acho que
a taciturnidade 
de horas
anda
apontando 
para 
incerteza
da 
sustentabilidade
desta 
conexão.

13 abril 2015

Transparência


Pela janela,
a luz,
nada contida
por panos
e babados,
esquentou
dois corpos,
que enroscados,
reagiam,
desnudos,
sudoreicos
e energicamente,
a uma
resposta
hormonal.
E revelou,
para todo
arredor,
um
ato,
até então,
improvável
para
aquele
local!

21 março 2015

(Des)vincular


Daqui espero
Daqui vejo
Daqui agonizo.
Há muito foi o tempo
da carne
plantada no solo,
que apodrecida,
engordou os bichos
soltos e aterrados,
e do sepulcro
desvaneceu
em caldo de
péssimo odor.
Ficou a lembrança,
maldito
suplício,
novo óbito,
que emergida como ar
sufoca
até hoje,
como melancia na garganta,
e não permite
a vida continuar.

07 janeiro 2015

Porta


Talvez não saiba
que a porta que hesita bater
é a mesma
que na face oposta
há outra alma
que espera,
com ânsia,
ofego,
euforia,
resignação,
a outra,
que emancipe,
dê-lhe alforria,
e resgate
o mais arraigado,
seguro e
íntimo
desejo
de possuir
e ser
arrebatado.

01 agosto 2014

Brindados


Nós 
amarras
não 
foram 
hábeis
suficientes 
para 
abduzir 
de 
nós
às
aras
que 
amar
erigiu.

01 maio 2014

Fetiche


Qual exclusiva noite
para fatigar a lascívia.
(Cronometro ligado)
Diana Krall presente
no tom mais gracioso
que a eletrônica permitia.
Cheiro das velas
(muitas velas)
inebriava o ar
de tênue a vaporoso.
Sapato vermelho,
de salto alto,
impunha o tom,
passo a passo,
de chegada
e inicio
da apreensão
(suor na testa ruborizada).
Na visão
a lingerie
mais sublime
(e transparente)
que se possa imaginar,
e que contentava
aquele gosto
encapetado.
Meia luz,
ou luz nenhuma,
que dilatavam as pupilas,
na vontade de ver (muito) mais
que consentido
(ou o que seria desvendado,
daqui a pouco,
pouco a pouco).
De saliva estiada
a voz,
quase nada,
era rouca.
Na face
(batom, sombra, cílios delineados,
e um discreto gliter na pálpebra)
tudo clássico,
muito “Pin Up”.
Com movimentos lentos,
Uma dança foi estabelecida.
Tudo supremo...
Do toque do relógio queria mais
(muito mais!),
queria um ser sobrenatural,
que parasse aquele tempo,

e o fizesse infindo.

01 abril 2014

"Ctrl+C"

Boca na boca,
para não repetir inverdades
das experiências envelhecidas,
caducas,
mal vividas.
Que seja um tempo novo,
das teclas “Ctrl+C”
quebradas.
Fale-me algo
inédito,
como
o sonho da diva,
o medo da noite,
o desejo de servir no vôo,
o temor da gestação,
a ânsia esquecida do corpo.
Agora,
deixar de saborear,
pelo azedume anterior:
não!
Aproveite...
Destrua a agenda,
apague email´s,
exclua perfis no facebook.
O tempo é outro,
eu sou outro:
caráter,
psique,
alma,
coração,
torso.
Sou
uma nova
e verdadeira
miração.

01 março 2014

Viagem


Leva-me
para algum lugar,
muito longe daqui.

Um lugar onde sinta odor,
sem que meu faro sofra com tantos maus perfumes.


Onde o tempo seja cromático,
a despeito da pulsação incolor.

Onde tudo pare,
dentro de tamanha inquietação.

Pode ser na esquina,
na lembrança,
na militância,
na preguiça,
na espera do aeroporto,
na ausculta de cantos melancólicos
ou na torcida dos guerreiros.

Seja no próximo segundo,
no minuto seguinte,
ou dez anos após.

Creia,
acredite,
tenha fé:
eu só não quero ficar aqui.

15 janeiro 2014

Tormenta


Calmo, 
agora o mar está!

Na tempestade
jogou peixe para fora,
fez barco virar e
Ninfas andarem.

Tive medo,
mas se eu não estivesse
lá imerso
na escuridão,
não aprenderia
que é a boia
que te faz boiar 
e o nariz para fora,
respirar.

14 dezembro 2013

Dependência...

Sua nudez  
alarga meu encanto 
pelo simplório frugal

e dificulta enjeitar 
o vicio pelas coisas simples.

02 novembro 2013

Que coisa!

Deixo o orgulho de lado,
deito quieto,
pouco humilhado,
infeliz.

Cedeu minha esperança.
Estava elétrico,
(sabe disso!)
desejoso,
urrando de sede,
esfomeado,
faminto,
famélico.

- Mas ainda é tão cedo?
(na noite nada é tarde para nutrir o desejo).
Se havia algo errado, não sei?

Agora discreta,
sussurrou no meu ouvido
(lembra um gemido).

- Bandida!!!
Enganou-me!
Iludiu-me!
Bendita artificiosa,
manhosa,
arteira. 

Sussurra mais uma vez,
e confirma:
-eu quero!

Agora?
Vontade de pular dali correndo.
Escapulir,
esgueirar,
matar-te.

Mas se era justamente o que queria?!
(precisamente!).

Vou espalhar aos sete ventos
que és uma enganadora,
uma burlesca.

Quis matar um desejo!

Por que falou antes

“hoje não”?

01 outubro 2013

Vidente





Coraçãozinho,
espedaçado,
esfarelado,

palpita,
lateja,
titila,
agita:


anda 
pressentindo
que uma coisa boa
vai acontecer!

02 setembro 2013

Comunicação


Cumprindo o praxe universal
de emissor,
receptor 
e meio,
o ritual criado por Eros,
teve inicio no jogo de palavras.
Poucas, sei!
Mas todas curiosas,
indiscretas,
bisbilhoteiras,
do tipo:
Quem? 
Quando? 
Como?
Próprias para despertar o interesse.
Próprias de uma língua oficial
de 280 milhões inquilinos.
Próprias, 
que começaram abrir
o ferrolho
selado,
outrora,
sabe lá por quem? 
Quando? 
Onde?

Na sucessão das horas
(confesso: foram poucas!),
a transmissão racional foi distanciada.
Quem? 
Quando? 
Como?
Ficaram no passado.
Quem? 
Quando? 
Como?
Já tinham as respostas,
que aqui são improprias
apresentar.

Sonoras compreensíveis
de outrora,
passaram a simples percepção.
Gemidos,
murmúrios,
suspiros,
arfados,
hálito.
Sensações
(odor e umidade)
percebidas pelo dedo indicador 
e não mais pelo ouvido médio.

Palavras?!
Para que?
Quem?
Como?
Quando?
São distantes do que Eros
criou.

01 agosto 2013

Estratégia


A definição de outra trajetória
recuperou o rumo,
abalado por embuste,
felonia
e instabilidade.
Bem de mim
que tinha na inocência, 
na crença 
e nos saberes,
minhas maiores qualidades.
Enfim,
tudo recuperado.
Pouco
modificado
sei,
mas
recuperado!

01 março 2012

Tempo



Definir é um desafio,
Interrogue-me e fujo desta quesito,
Não quero ver, inferir ou meditar...
É uma perene agonia!

Nem sempre as três dimensões que fundamentam sua existência contêm sua experiência:
Passado, presente e futuro,
Por si só não o fazem concreto.
(- Se nenhuma das suas partes existe, como pode ele subsistir?)

Quando penoso é lento,
Quando feliz, amável e prazeroso, rápido,
Quase fugaz, às vezes uma ilusão.
(- Como pode ser célere para uns e viscoso para todos?)

Só no plano divino,
Anterior a nossa criação,
Para entendimento.
(- Mas se há um planejamento superior, para que medi-lo então?)

Relativizá-lo será sempre uma tentação.
Alguns marcam com segundos, minutos, dias e primaveras.
Outros com ações:
Amores perdidos, trabalhos concluídos, filhos crescidos.
(Eu, constante emoção!)

A realidade dele só está no pensamento.
Na verdade,
Sua compreensão só é percebida no espaço e movimento,
Intervalo e animação,
Vida e viver.

Concluí-lo, jamais!
As marcas que nele imprimem,
Eternamente o farão dissemelhante.

O fato que é cíclico,
É uma sucessão de inverno, verão, férias e São João.
Um eterno reviver,
Mas sem necessariamente restituir.

Então,
Que flua,
Que se viva nele.
Que seja segundo,
Seja eterno,
Seja individual.
Seja próprio,
Exclusivo,
Irreversível.

O meu é só meu,
Cabe na minha caixinha mágica.
Na minha nave espacial.
(Transforma-me!)

Nele transfiguro,
Modifico,
Experimento.
Sou objeto e
Ação.

E graças a ele,
subsisto.